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Máscaras PFF2 são mais eficientes na proteção contra a Covid-19 enquanto as de algodão apresentam pior performance, aponta estudo

 

Fotomontagem: Bruna Irala / Arte de fundo: @Prachatai/Flickr

Com o objetivo de determinar a eficiência do material das máscaras de proteção contra a Covid-19 mais utilizadas no Brasil, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) realizaram uma testagem em laboratório de 227 máscaras diferentes. O estudo Filtration efficiency of a large set of COVID-19 face masks commonly used in Brazil, publicado na revista Aerosol Science & Technology, faz parte do projeto Respire! do InovaUSP e foi desenvolvido em parceria com pesquisadores do Instituto de Física (IF) e da Escola Politécnica (Poli) da USP.  

Uma pessoa contaminada transmite o vírus por meio de gotículas muito pequenas que se dispersam no ar ao falar, tossir e espirrar. Por conta disso, o tripé de proteção (distanciamento físico, uso de máscara e ambiente ventilado) é tão importante para conter a transmissão. No entanto, máscaras com materiais de baixa eficiência de filtração e mal vedadas podem diminuir drasticamente a proteção de seus usuários. 

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O estudo, ao avaliar a eficiência de filtragem e o fator de qualidade das máscaras, conseguiu determinar quais materiais garantem maior proteção e respirabilidade às máscaras. 

Segundo o pesquisador Marco Aurélio de Menezes Franco, físico e estudante de doutorado em Física pelo IFUSP, coautor do estudo, as medidas utilizadas se baseiam em protocolos de testagem de máscaras industriais, como a N95/PFF2. 

Para medir a eficiência de filtragem, partículas de aerossóis dentro do intervalo de tamanhos de 60 e 300 nanômetros foram geradas dentro de uma câmera de mistura com um tubo conectado a uma determinada máscara de prova. “Este tubo também foi conectado a um equipamento que mediu tanto a concentração de partículas quanto a distribuição de tamanho delas”, explica Menezes Franco. Dessa forma, os pesquisadores mediram quantas partículas foram detectadas sem e com a máscara e fizeram os cálculos de eficiência para cada tamanho de partícula detectado. 

Em relação a respirabilidade, diferenças de pressão foram calculadas por meio de um aparelho próprio do laboratório. “Com a eficiência de filtragem e com a diferença de pressão calculada, obtemos o fator de qualidade”, afirma o pesquisador. 

De acordo com o estudo, as máscaras de tipo N95/PFF2 apresentaram a maior eficiência de filtração de partículas, dentro de 98%, e fator de qualidade, enquanto máscaras de algodão tiveram a pior performance, com eficiência variando de 20 a 60%. 

Fonte: Respire/InovaUSP


Entretanto, o desempenho das máscaras no contexto do dia a dia está ligado a outras questões além da qualidade e eficiência do material, como a vedação, o tempo de uso e sudorese e depende principalmente da forma como ela se adere ao rosto, sem permitir vazamento pelas bordas. Uma máscara PFF2, por exemplo, mantém seu desempenho de filtração na faixa dos 98% no contexto diário, mas isso não significa que outros tipos de proteção devam ser descartados. 

Máscaras cirúrgicas e de tecido TNT apresentaram um bom desempenho e como afirma o físico, “se a máscara estiver bem colocada no rosto, sem vazamentos nas bordas e sempre trocada de forma regular, ela terá um bom desempenho compatível ao obtido no estudo”. Além disso, embora não tenha sido objeto de estudo, o cientista recomenda o uso de clipe nasal que ajuda no ajuste. 

O número de lavagem das máscaras caseiras também pode comprometer a eficácia de proteção, por isso a necessidade de estar sempre atento ao estado da máscara e verificar por ranhuras, bolinhas e marcas de uso. Segundo Marco Aurélio, “análises que nós temos feito para um futuro estudo mostram que muitas lavagens podem deteriorar o tecido, o que é algo esperado e que isto, claro, influencia na eficiência de filtragem”. Vale ressaltar que máscaras como N95 e PFF2 não devem ser lavadas, mas deixadas separadas por algum tempo.

Ainda assim, mesmo que uma determinada máscara tenha maior ou menor eficiência, qualquer proteção é melhor do que nenhuma proteção. “Por exemplo, use uma máscara mais simples, como as de algodão para buscar uma compra entregue por delivery na portaria do prédio, ou para ir a locais com poucas pessoas, desde que haja necessidade. Já use a N95 quando tomar um transporte público, for a locais com alta densidade de pessoas (novamente, desde que haja necessidade), como um supermercado, ou for a uma consulta médica”, enfatiza o físico. 

O ideal segundo o estudo, no entanto, seria a produção em massa de máscaras PFF2/N95 e a sua distribuição gratuita à população, por terem uma performance estável e de alta qualidade na proteção das pessoas. Enquanto isso não acontece, projetos como o PFF Para Todos ajudam a encontrar máscaras PFF2 de preço acessível e de qualidade em todo o país. 

Fonte: jornaldocampus.usp

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